By Driks Santos

O Julgamento e Crucificação de Yeshua, o Mashiach de Israel

Depois de expor parte d’aquilo que me incomoda no organizado sistema evangélico resolvi fazer aquilo que na minha opinião é a unica forma de fazer com que as pessoas comecem a ver a verdadeira face de Deus. Decidi que vou postar nesse blog estudos comentados por mim ou não, de diversos autores, com o simples intuito de instruir o povo ao conhecimento, a real palavra e a liberdade que existe na verdade. Esse texto fala da verdade acerca dos reais motivos que levaram Cristo a cruz. Fatos históricos e culturais que falam da crucificação de maneira mais clara.

O julgamento e crucificação de Yeshua, o Mashiach de Israel

A crucificação como pena de morte chegou até Roma como “morte de escravo”, originado na Pérsia de Zoroastro, por meio dos gregos. Para os judeus, a crucificação era desconhecida. Crimes especialmente graves eram castigados no antigo Israel com o apedrejamento (“lapidação”). Só pela influência dos gregos, que entraram para a história como helenistas humanísticos, a crucificação de pessoas ainda vivas se tornou popular.

Antíoco Epifânio, o tirano greco-sírio (175- 164 a.C.), proibiu aos judeus, sob ameaça de crucificação em vida, a prática da circuncisão que lhes obrigatória. Em 7 d.C. o romano Quintilus Varus mandou pregar na cruz 2.000 judeus revoltosos. O historiador Flávio Josefo descreve como incontável o número de judeus que foram mandados à crucificação pelo procurador romano Félix (52-60 d.C.). Segundo o costume romano, os condenados eram crucificados completamente nus.

Yeshua nasceu, viveu e morreu num ambiente de extraordinária complexidade, pois desde século VI a.C., babilônios, persas, gregos e romanos ocuparam sucessivamente a Judéia. Sob o jugo de Roma, no ano 37 a.C, Herodes, um aventureiro sem escrúpulos, foi proclamado rei da Judéia. Astucioso e sem freio moral, impôs sua realeza sobre um território que saia da Síria ao Egito. Entre suas grandes obras, destacou-se a reconstrução do Templo de Jerusalém, com a qual esperava conquistar a simpatia dos judeus, que o odiavam. Mas o preço desses empreendimentos foi uma opressão ilimitada e impostos astronômicos. Quando o rei morreu, no ano 4 a.C., seu território foi dividido entre três filhos igualmente despóticos. Foi nesse período conturbado que Yeshua viveu.

Séculos de domínio estrangeiro haviam produzido no judaísmo uma profunda crise e numerosas facções disputavam a cena pública. No topo da pirâmide, estavam os saduceus, grandes proprietários de terras e membros da elite sacerdotal. Esse grupo seguia uma política de conciliação com os dominadores romanos. O centro de sua atividade era o Templo de Jerusalém e, em matéria religiosa, aceitava apenas o que estava escrito na Torá, constituída pelos cinco primeiros livros da Bíblia. Foram eles os principais acusadores de Yeshua.

Um degrau abaixo ficava o importante grupo dos fariseus (“prushim”), cujo nome vem do hebraico “prisha” (separação). Eles se isolavam do resto da comunidade pelo cumprimento minucioso das regras de pureza prescritas na Torá. Vinham principalmente da classe dos artesãos e pequenos comerciantes. Nacionalistas, esperavam um Messias guerreiro que libertasse Israel da dominação romana. Participavam do Sinédrio, mas atuavam preferencialmente nas sinagogas espalhadas pelo país. Sua doutrina sobre a imortalidade da alma e a ressurreição do corpo influenciou o pensamento cristão.

Outro grupo eram os Doutores da Lei (escribas). Não formavam um partido, mas gozavam de enorme autoridade por ter entre seus membros os intérpretes autorizados das Escrituras.

Sob aguda opressão e crise de valores, as camadas mais pobres aguardavam a vinda do Messias. O termo em hebraico significa ungido e, no Antigo Testamento, designava os sumos sacerdotes e os reis, sobre cuja cabeça se derramava o óleo santo, como sinal de que haviam sido escolhidos pelo Eterno para uma missão. O Messias aguardado deveria liberar o país do domínio estrangeiro e restaurar uma dinastia real e legítima em Israel – a casa de Davi. Ao iniciar sua atividade pública, Yeshua foi identificado como o Messias esperado.

Seus inimigos – saduceus à frente – souberam explorar essa identidade atribuída a Yeshua pelas massas, especialmente na Galiléia, para levar o homem à morte. Apesar das idéias revolucionárias, Yeshua jamais quis romper com a tradição judaica. Ele era judeu, viveu como um judeu e pregou para os judeus. Passagens dos Evangelhos o descrevem ensinando nas sinagogas e atestam que conhecia profundamente as Escrituras. Seus interlocutores o chamam de rabi, que significa mestre. Estudiosos contemporâneos sublinham que os ensinamentos de Yeshua apresentam notáveis paralelos com o pensamento rabínico da época. O que motivou sua condenação foi um confronto radical com a estrutura de poder constituída em torno do Templo. Essa instituição era, então, o centro da vida econômica, política e religiosa do país.

Ali se controlavam os sacrifícios diários de animais e a cobrança de impostos. Naquele tempo, numa única Páscoa judaica, foram imolados 250 mil cordeiros. Os animais sacrificados passavam por um controle de qualidade, baseado nas regras bíblicas de pureza. Isso fazia com que a maior parte daqueles trazidos pelos pequenos produtores fosse recusada. Em seu lugar, fiéis eram obrigados a comprar animais criados por grandes proprietários de terra ligados às famílias nobres e oferecidos a preços exorbitantes.

Além dos sacrifícios, o Templo lucrava com os impostos – havia um cadastro de 1 milhão de contribuintes, em toda a Judéia. Os pagamentos não deveriam ser feitos na moeda local, inflacionada, mas trocados pela tetradracma tíria, moeda tão forte que não sofreu nenhuma desvalorização em 300 anos. Cunhada na cidade fenícia de Tiro, ela tinha em uma face a imagem de Melkart, deus protetor dos tirenses, e na outra a águia de Júpiter, divindade romana. Para os judeus piedosos, era um escândalo que os sacerdotes adotassem uma moeda decorada com figuras pagãs. Mas, esses sacerdotes eram coniventes com os romanos.

Escandalosa também era a comissão de 8% cobrada na conversão. Por isso, ao expulsar cambistas e vendedores de animais, Yeshua não afrontou um bando de camelôs – bateu de frente com a elite dominante. Aproveitando o momento em que o volúvel ânimo da multidão migrou do entusiasmo para a decepção, os principais chefes saduceus, Anás e Caifás, incitaram as massas a exigir a morte do homem que, dias antes, haviam exaltado. A verdade é que esses sacerdotes riquíssimos agiram em defesa de seus privilégios.

Yeshua foi acusado pelos sacerdotes (saduceus) que o acusavam de se proclamar Messias, mas isso não era crime na lei judaica. Muitos outros o fizeram naquela época, sem sofrer represálias por isso. Ele também não foi acusado de blasfêmia (se fosse, poderia ter sido apedrejado como manda a lei judaica). Os sacerdotes o acusaram perante a autoridade imperial – Pôncio Pilatos, o procurador romano.

Yeshua foi acusado de ameaçar a destruição do templo e proclamar-se ‘rei dos Judeus’, o que caracterizaria subversão. Esse era um dos principais motivos para a crucificação, naquele tempo. Historiadores calculam que, nas três décadas da vida de Jesus, os romanos crucificaram 10 mil condenados. No alto das cruzes, colocava-se o titulus, uma placa para anunciar ao povo o porquê da execução. O titulus ‘Jesus de Nazaré, Rei dos Judeus’ aponta para o mesmo crime, subversão.

Os Evangelhos contam que, antes de ser crucificado, Jesus foi torturado pelos soldados romanos. A flagelação, de uma brutalidade aterradora, era parte do suplício infligido a todos condenados à crucificação, parte de um jogo cruel chamado “o jogo do rei”. A cruz era um tronco de uma árvore de pequeno porte, a oliveira, e ficava fixa no local da execução. Cabia ao condenado transportar a barrahorizontal, pesada o suficiente para produzir hematomas em suas costas. Alcançado o destino, o homem era deitado no chão e pregado à barra, que os soldados içavam. Três pregos de ferro, de 18 centímetros cada um, prendiam o condenado à cruz. Os membros superiores não eram fixados pelas mãos senão entre os ossos rádio e cúbito, no pulso. O terceiro prego atravessava os pés, colocados um sobre o outro, e os comprimia contra um pequeno toco preso ao poste. Os braços erguidos dificultavam a respiração; os líquidos acumulavam-se nos pulmões; a morte vinha por asfixia. Apoiado sobre o toco, o condenado podia erguer ode tempos em tempos, para respirar melhor – o que prolongava sua agonia. Era comum os crucificados sobreviverem por até três dias. Yeshua, debilitado pelas torturas, morreu, segundo os Evangelhos, em seis horas. Por mais que a ciência esmiúce todos os detalhes do sacrifício de Yeshua, porém, há nele uma dimensão mais importante, a idéia que revolucionou a história do espírito humano. A noção de que Deus pôde sacrificar o próprio filho para redimir os homens – e que, finalmente, o amor triunfa sobre toda a violência e adversidade.

Estudos críticos da Bíblia, mais freqüentes nas últimas décadas – por parte de estudiosos ateus, judeus e até cristãos – rejeitam a versão que mostra Pôncio Pilatos comovido com Yeshua e inconformado com a suposta multidão que teria pedido sua morte. Baseados em diversos relatos, como os de Flávio Josefo (35 -100 d.C.), e nos princípios do Direito Romano, esses historiadores estão convencidos de que a condenação de Yeshua foi apenas mais uma entre as milhares realizadas pelos romanos na Judéia. Foi basicamente um ato oficial de repressão. Roma não tolerava rebeliões em seus domínios. A morte na cruz era a pena imposta pelos romanos para os delitos contra o império. A acusação contra Yeshua por parte dos judeus se restringiu aos saduceus, a facção que apoiava a dominação romana e controlava a nomeação dos sumos sacerdotes. Yeshua teria sido uma ameaça para eles, segundo o teólogo Hermínio Andrés Torices, professor da PUC de Campinas e do Instituto Teológico de São Paulo. “Tudo indica que houve um complô desse grupo restrito, mas não uma vontade coletiva dos judeus de Jerusalém”, diz Torices.

Um outro tema tratado nos evangelhos, a libertação de Barrabás, serviu para temperar essa suposta vontade coletiva dos judeus de condenar Yeshua à morte. O privilégio de os judeus poderem pedir durante a Páscoa a libertação de um condenado não passa de uma lenda,segundo diversos estudiosos, como Paul Winter (1904-1969), em seu livro póstumo “Sobre O Processo de Jesus”, de 1974. Acredita-se que, escritos a partir da grande revolta dos judeus contra Roma (66-70 d.C.), os evangelhos evitaram acusar o Império pela morte de Cristo. “Há uma nítida tendência para amenizar as tensões entre romanos e cristãos, até mesmo nos séculos seguintes”, afirma Torices. Essa tendência só termina no ano 313, quando o imperador Constantino decreta o Edito de Milão, estabelecendo uma política de liberdade religiosa – para os cristãos. Por pouco, segundo Winter, Pilatos não foi canonizado, assim como aconteceu com sua mulher pela Igreja Grega por ter sido advertida em um sonho que Yeshua era inocente (Mateus, 27,19).

A Bíblia mostra como a mensagem dada por Yeshua conseguiu sobreviver de maneira surpreendente à guerra de 66-70 d.C., em que os romanos praticamente massacraram os judeus. Os romanos mataram o corpo material do Redentor – mas não conseguiram matar a Sua Palavra…

Tabernáculo Profético Hesedh Rabino Judá ben Haim

Comentário:

Depois de ler este texto fica uma pergunta, até quando a igreja vai cultuar a Deus com interesse na prosperidade, sabendo que a ganância por poder de homens considerados servos de Deus  levou nosso salvador a morte?

Adriana Santos

2 Respostas

  1. luciano

    São fatos e comentarios concretos como estes que necessita-se saber todos os estudantes das sagradas escrituras.

    25/10/2011 às 23:55

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